“Na Casa de Meu Pai há Muitas Moradas” pode ser o conhecimento que o Mestre deixou aos seus dicípulos mostrando que não existe apenas um único caminho na Espiritualidade.
Hoje, o mundo está cheio de palavras-chave e idéias comercializáveis que parecem ótimas em um vídeo ou artigo. Além de sermos convencidos de que a espiritualidade tem a ver com magia e experiências especiais, temos que nos basear nas verdades não comercializáveis.
Uma noção que ressoa e me humilha é a ideia de quão pouco sabemos realmente sobre a vida. Claro, posso posicionar minha imagem e escrever com sofisticação, tentando convencer as pessoas de que sou especialista em espiritualidade. No entanto, tive muitas experiências místicas e, por causa delas, entendo que a verdadeira compreensão vem da humildade.
A clareza da minha mente me diz para nunca abrir mão da sabedoria das pessoas ao meu redor. A pessoa comum todos os dias é tão espiritual quanto o ser que se veste com roupas fantasiosas.
Não é tamanho único
A espiritualidade não se encaixa em todos os modos de ser. É mais sobre ser fiel ao nosso próprio design e natureza interior. Cantar com os pássaros, mascar um chiclete ou dirigir um carro são atividades que podem ser tão espirituais quanto recitar uma oração.
O que importa não é o que estamos fazendo, mas como realizamos a atividade em si. Se agirmos a cada momento com o verdadeiro foco e a intenção de estarmos conscientes, estaremos trabalhando voluntariamente em ser uma pessoa espiritual.
Quer estejamos cientes de nossas vidas ou não, estar em um processo espiritual não é um indicador de grande sabedoria ou grande tolice; cada pessoa caminha pela vida no seu próprio ritmo.
Não encontraremos as respostas que procuramos lendo uma idéia que se manifesta através das experiências de outra pessoa. Podemos ler incontáveis livros, assistir a horas de entrevistas ou ter discussões profundas com colegas sobre o que acreditamos ser o verdadeiro caminho, mas isso não garante que nos afastemos como um mestre espiritual. O que separa aqueles que sabem e aqueles que não sabem é a capacidade de ver além do sentido do eu.
A prática da meditação é a porta de entrada para nos lembrar de quem éramos antes de nos tornarmos quem somos. Quando conhecemos nosso passado, podemos determinar melhor nosso futuro atualizando o presente.
Quando entramos neste mundo, entramos nele sem idéias ou pensamentos sobre o que ou como a vida deveria ser. À medida que envelhecemos e nos transformamos, o ambiente que nos rodeia nos moldou em quem somos. Nossos pensamentos e valores foram colocados diante de nós e, quando criança, não sabíamos de mais nada; aceitamos tudo o que foi apresentado e assumimos uma identidade. Esquecemos a maravilha e o mistério da vida.
Sem nos lembrarmos do passado, da vasta consciência de uma criança, deixamos o mundo nos enganar e acreditar no que reivindicou como verdade. Devemos lembrar e reivindicar o que deixamos para trás. Nossa verdade, a verdade da humanidade, está esperando. Não pode ser encontrado em um livro ou comprado. O caminho para a verdade é descoberto através do silêncio e profunda reflexão.
O Autodescobrimento
O mundo dentro de nós pode ser um abrigo luminoso ou uma caverna escura. Quanto menos vemos ou pedimos nossa própria natureza, menos luz teremos dentro de nós.
Paciência e resistência são as virtudes que serão desafiadas. Essa busca de autodescoberta não é resolvida após um minuto de investigação interior; é uma busca na vida que nos fará sentir perdidos , confusos e incertos. O que buscamos vale a pena, pois esse presente é mais valioso do que ouro ou riquezas terrenas.
O conhecimento de si mesmo, a compreensão de nossa verdadeira natureza interior, é o que devemos recuperar. Uma vez que a tenhamos, nunca a perderemos. As cordas do destino se tornarão aparentes e nossas mentes florescerão como uma flor de lótus subindo da lama.
Este caminho não é fácil, nem simples. Ação e foco constantes nos guiarão para nossas próprias verdades. Depois que lembrarmos quem somos, saberemos o que devemos fazer. O mundo ficará muito mais claro. Tudo o que podemos pedir é se estamos prontos para dar o primeiro passo. Nenhum professor ou mestre irá caminhar conosco nesta jornada. Somente nós podemos recuperar o que perdemos.
Por Rafael Campiz Via: The Mindfull World